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Blog PenaPicinês




Escrito por nettodedeus às 13h40
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             O relato da chegada dos capuchinhos a Canindé em 1898, diz: “...e ao final do dia, o vigário ofereceu aos frades um esquisito jantar”.

            Em português a frase sugere uma comida no mínimo estranha ou desconhecida como: um frito de jacú ou de juriti, de mocó ou de preá, um suculento tatu... que ainda era possível encontrar naquele sertão, no final do século XIX.

            Aproveito a inusitada frase do relato, para convidar o leitor interessado, a fazer uma incursão na palavra “esquisito”, nas línguas neo-latinas e anglo-saxônicas.

            Nas línguas neo-latinas o termo vem do latim: exquisitus, que é o particípio passado de “exquiro”, este formado de ex+quaero que significa: buscar com diligência, andar à cata, inquirir. Existe também o verbo “inquiro” de in+quaero com idêntico significado. Dele vem o “inquérito”, palavra temida de todo implicado. Comprovando isso temos a palavra “investigador” que em latim se diz: tanto “exquisitor”, como “inquisitor”.

            O português curiosamente é a única língua neo-latina em que a palavra “exquisito”, tem em geral, uma conotação negativa, sobretudo quando usada em referência à comida. Popularmente quando se diz: “esta comida está esquisita”, significa que ela está fora de seu padrão habitual, sem seu sabor característico.

            Embora nos dicionários do Aurélio e do Houaïs, “esquisito” signifique: invulgar, raro, precioso, fino; segundo significado: extravagante, excêntrico, exquipático. Em português, o termo é mais usado no sentido: extravagante, excêntrico, fora do normal... Vejamos nas outras línguas.

            Em espanhol “exquisito” é muitíssimo usado em referência a alimento e significa: excelente, primoroso, escolhido, precioso, lindo para comer e mesmo “celestial”, como um manjar para os deuses.

            Em francês “exquis” é também empregado usado em referência a alimento e significa: delicioso, agradável, refinado, suculento, rico.

            Em italiano “squisito” é igualmente utilizado para se referir a alimento com o sentido de: ótimo, especial, de grande qualidade, prelibável.

            Em inglês “exquisite” deriva do mesmo termo latino citado, significando: refinado, perfeito, delicado, excelente e é também usado com relação a alimento.

            Em alemão, uma língua palavrosa – enquanto nas línguas neo-latinas o vocabulário mínimo é de 3 mil palavras, em alemão ele chega a 12 mil - tem vários termos para traduzir “esquisito”: ausserordentlich = extraordinário, não comum; auserlesen = seleto, selecionado; köstlich = excelente, delicioso, estupendo, magnífico. Os três são usados com relação a comida e sempre com sentido positivo. 

            O raro LEXICON  Latino-Grego (London, 1825, p. 63), traduz “esquisitus, a, um, para o grego pela palavra: akribés = akribhV, que quer dizer: exato, seguro, preciso. Outra palavra da mesma raiz é acribeia = akribeia, significa: exatidão, diligência, cuidado minucioso, reta precisão.

            Pesquisando os autores latinos que usaram a palavra, encontramos diversos sentidos.

            Cícero diz: “munditia non exquisita nimis”, isto é, “elegância sem muito requinte”; “exquisita supplicia”, traduzido como: “suplícios requintados” e “exquisitissima verba” ou seja: “palavras escolhidas”.

            Tácito se refere a “exquisitior adulatio”, querendo dizer: “adulação requintada”.

            Plínio fala de “exquisitae epulae”, que significa: “banquete de iguarias requintadas”.

            A julgar pelo uso dos escritores latinos, sobretudo de Plínio, os espanhóis têm razão quanto ao uso da palavra “esquisito” para se referir um prato especial, delicioso e saboroso.

            Gostaria de descobrir por quais ínvios caminhos, perambulou a palavra “esquisito” na língua portuguesa para afastar-se do sentido mais comum a ela atribuído, no latim e nas línguas irmãs.

            Diante disso, é desnecessário dizer que o autor da crônica não era de língua portuguesa.

 

                                                                                                                                                                                               

Frei Hermínio Bezerra de Oliveira

Tradutor da língua portuguesa em Roma.

E-mail: spt@ofmcap.org 

                                                                                               

 



Escrito por nettodedeus às 22h44
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MAXIXE, GERGELIM, CAJU E POBREZA

Cineas Santos

 

Onde nasci, sertão do Caracol, não se plantava maxixe. Aquilo nascia nas roças e rendia que nem filho em casa de pobre. Em ano de inverno fraco, dava tanto que não tinha quem desse vencimento. Maxixe puro não é comida de cristão; misturado com cozido de espinhaço de bode ou com carne batida, coentro e uma colher de nata, converte-se em fina iguaria , comida de padre em desobriga. E nem vou falar de maxixe com bacalhau ao leite de coco para não atiçar o pecado da gula nos meus três leitores. Vez que outra, para alimentar o sertanejo que habita em mim, resolvo preparar uma maxixada. De imediato, deparo-me com dois problemas: os maxixes vendidos em Teresina ou estão murchos ou maduros, imprestáveis, portanto. Não bastasse isso, o preço é dissuasivo: dez unidades por um real. É mais caro que a uva Santa Isabel, que atravessa o país inteiro para chegar até nós. Mistérios, como diria o nosso saudoso Manelão.

            Outra comida de que, às vezes, sinto saudade é da paçoca de gergelim pisada no pilão, com farinha e rapadura. Comida de sustança. Gergelim dava em qualquer monturo: bastava jogar um punhado de sementes no chão: o resto corria por conta da natureza. Para proteger as roças das pragas, plantava-se gergelim nos aceiros: a folha da planta é tão amarga que nem formiga nem bode nem jegue comem. Todo mundo tinha em casa, todo mundo comia torrado. Vai que, de um dia para outro, descobriu-se que o gergelim é rico em não-se-o-quê. Pronto: o que era bagulho de pobre virou alimento de madame. Pensei comigo: agora os agricultores miseráveis vão lavar a égua. Ledo engano: o gergelim, misteriosamente, desapareceu dos monturos e dos roçados do sertão. Hoje, só se vê gergelim em confeitaria de luxo ou em casa de “produtos naturais”. O preço, nem é preciso dizer, é proibitivo. Os pobres estão comendo biscoito com recheio de anilina.

            Com o caju que, no Piauí, dava mais que maria-sem-vergonha , aconteceu algo parecido: simplesmente desapareceu. Em qualquer lugar do Piauí, caju apodrecia nas roças. Os lavradores só colhiam as castanhas. Eis que, de repente, justo no quando o presidente Lula está fazendo  a apologia do caju como produto de “grande valor protéico”, o bicho desapareceu sem deixar vestígios. Quem não se lembra das bacias de caju atraindo abelhas e olhares gulosos dos transeuntes nas calçadas de Teresina? Coisas do passado, irmãos. Caju, agora, só acondicionado em cestinhas artesanais (made in Piauí), para exportação. Ontem, próximo à Câmara dos Vereadores, avistei uma senhora rotunda exibindo uma bacia de cajus como quem expõe pedras preciosas. Perguntei-lhe o preço da unidade e quase caí de costas: “três por um real”.  Três por um real? Isso mesmo. Vejam bem: com um realzinho é possível comprar meia dúzia de maçãs. Até onde sei, não se produz maçã no Piauí.

            Pelo andar da carruagem, caju, umbu, pequi, pitonba, bacuri, manga-rosa, ata e tucum tornaram-se produtos exóticos, raros e caros, caríssimos. Por essas e outras, começo a pensar que há alguma verdade no dito popular: Se merda desse dinheiro, pobre nascia sem *.

              

           

 



Escrito por nettodedeus às 16h50
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      Em Teresina, até as pedras sabem da minha aversão a telefone celular. É coisa antiga. Não se trata, como pensam alguns, de simples capricho de velho rabugento. É que existe entre mim o esse brinquedo do cão um fosso intransponível, uma incompatibilidade insanável. O celular “sabe” que não o aprecio; em represália, nunca me serve quando a ele recorro. O jogo não sai do zero a zero. No mês passado, de Pio IX, passei uma tarde inteira tentando uma ligação para Teresina. Nada. No display  da caixinha mágica, só a frase inigmática: “buscando rede”. Lá pelas tantas, perdi a paciência: fui ao mercado da cidade, comprei uma rede de embira de caruá e deixei o bicho madornando nela a noite inteira. Vai ter preguiça assim lá na casa do capiroto, diacho!

         Tenho miríades de razões para não gostar de celular. Em primeiro lugar, esse trem vicia mais do que coca-cola e nicotina, juntas. Em segundo lugar, como confiar num  artefato que é capaz de perturbar a complexa ecologia de um Boing?  Não bastasse isso, as operadoras estão sempre  oferecendo uma  carrada de  “vantagens” para você mudar de plano, trocar o aparelho, etc. É pior do que casamento com viúva pobre carregada de filhos.

         Ao longo da vida, sempre me neguei peremptoriamente a portar esse guizo eletrônico. Tinha pronto, na ponta da língua, um argumento irrefutável: não sou cardiologista, nem delegado de polícia, nem corretor. Quando não estou é porque não quero ser encontrado. Mas a vida tem curvas. Vai que meu filho, no dia dos pais, resolveu fazer-me um “carinho” e pendurou o chocalho da aldeia global no meu pescoço. Me deu um celularzinho  peba, desses de cartão, que não mandam e-mail, não fotografam, não fazem mapa astral. Só acidentalmente, o meu completa uma chamada. Pronto: foi o bastante para desassossegar a minha vida. Na semana passada, por exemplo, uma velha amiga me ligou do Rio de Janeiro para uma consulta rápida: queria saber se, em determinado contexto, devia usar este ou esse. É pouco?  Acrescente-se a isso a gozação dos amigos. Ontem mesmo, a jornalista Isabel Cardoso ligou apenas para confirmar se  “o dinossauro estava realmente online”, sorriu e desligou. Mas o melhor, digo, o pior ainda estava por vir.

         Na semana passada, em plena sessão do Conselho de Cultura, o bicho estrebuchou (o meu é mudo) no meu  bolso. Não atendi. Terminada a sessão, dirigi-me à Oficina da Palavra onde tinha compromisso agendando com o mestre Santana. Muito bem acompanhado (uma mulher bonita ao lado), Santana recebeu com a elegância que o caracteriza: “Como vai o nobre amigo?”. Lembrei-me da chamada e resolvi retornar a ligação, cujo autor não consegui identificar. Deu-se então uma cena que nem Woody Allen, sem seus melhores momentos, seria capaz de imaginar.

               -Alô!

               - Quem fala?

               - Companheiro, estou apenas retornando uma ligação...

               - Não sei do que se trata.

               - Meu senhor, quem está falando é o professor Cineas. É que ...

               - O Cineas está aqui ao meu lado, você quer falar com ele?

               Nessa altura do campeonato, a jovem e bela cidadã, que a tudo assistira, não conseguiu conter: desmanchou-se em gargalhada.  Eu estava falando ao telefone justamente com o Santana, ao meu lado. Olhamo-nos envergonhados, desligamos nossos brinquedos inúteis e fomos tomar um cafezinho. Para disfarçar,passamos a discutir o calvário do Flamengo no brasileirão. Acreditai, irmãos, envelhecer dói!

 



Escrito por nettodedeus às 08h43
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Escrito por nettodedeus às 19h53
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PARNAÍBA REVISITADA

 

Pelos labirintos

de antigas ruas perdidas

caminho sem destino

e mergulho no temporal

das cavernas inescrutáveis

do deus Cronos

e o que se chama passado

intacto resgato

num pequeno pedaço de um

velho azulejo desbocado.

 

 

POSTAL II

 

 

No cais da beia-rio

lavadeiras sem roupas

lavam as roupas dos ricos.

O vento brinca de pegar

parelha com o Igaraçu

e venta vadio no ventre

das velas dos veleiros e

verga suas vigas entre vagidos e volatas.

À noite filhos-de-papais

tomam cerveja e Coca-Cola

encostado nos carrões,

enquanto as lavadeiras

passam as roupas lavadas.

A noite passa. Passa o vento.

                        Passa o rio, o riso/rosa

rápido passa.

 

 

PAISAGEM MARINHA

 

      Fecho os olhos

e encosto a concha do búzio

             na concha de minha orelha

e escuto o ritmo frenético

                                     do mar

ou lhe ouço o rouco ronco rolado

              de ondas paradas

Fecho os olhos e escuto

                                     a voz do búzio

e de dentro de sua concha

de cornucópia surgem

ondas, espumas e areias,

peixes, corais e caracóis,

alados cavalos-marinhos

e estrelas-do-mar e do ar

em galáxias de a(a)mar.

            (Meu coração

marinho sonha com sereias,

ilhas, coqueiros e veleiros.)

        De dentro

da concha do búzio

      sai um vento

recedente de maresia

      que me

leva/lava/lavra

como se eu fora um

       fruto do mar.

 

 

 

 

 

 



Escrito por nettodedeus às 19h44
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Cineas Santos

           Sou de um tempo de doenças conhecidas, remédios baratos e curas duvidosas. É certo que se morria bem mais cedo, mas, em compensação, sem tantas diluições, vivia-se cada segundo da existência com muito mais intensidade. Com o progresso científico e os avanços da medicina moderna, ocorreu um fenômeno curioso: descobriram-se mais doenças do que remédios para as já existentes. Um exemplo: o que fez a medicina, além de uma vacina de efeitos discutíveis, para evitar ou curar a gripe? Absolutamente nada. Os médicos, por seu turno, tornaram-se mais espertos: quando não conseguem diagnosticar uma enfermidade, por mais banal que seja, nem titubeiam: “Trata-se de uma virose”. È como se dissessem: é a vontade de Deus.

            Menino, no sertão do Caracol, fui acometido de todas as doenças, até então, conhecidas. Com mezinhas, chás e rezas fortes, sobrevivi a tudo e aqui estou para contar a história. Peço permissão aos meus três leitores para  nomear as enfermidades mais comuns e os remédios de que dispúnhamos para curá-las. Para cicatrizar o corte do cordão umbilical, sarro de cachimbo era tiro e queda; para apressar o endurecimento da  moleira, usava-se gema de ovo aquecida; dordói (conjuntivite), curava-se com sumo de fedegoso; para frieira, nada mais eficiente do que folha de cabaceira aquecida; combatiam-se as impingens com sumo de limão e pólvora;  curavam-se as verminoses com mastruço , melão-de-são-caetano ou semente de abóbora; tosse-braba  (coqueluche), aliviava-se com leite de jumenta preta; as crises de asma eram amenizadas com mel de cupira , caldo de  cauã ou cigarro de flor de zabumba ; prisão de ventre  curava-se com óleo de rícino; aliviavam-se as crises de enxaquecas com  chá  de imburana-de-cheiro; para os desarranjos intestinais, nada melhor que casca de  pau-de-rato; para caxumba (papeira) , barro de casa de parantonha  umedecido com cuspe; para o sarampo “sair” , chá de merda  de cachorro;para estancar  sangria desatada, pó de café ou bosta de jumento; para quebranto, mau-olhado e espinhela caída, o remédio era reza forte com galho de arruda. As demais enfermidades eram combatidas com aguardente alemã, remédio que não podia faltar na casa de cristão nenhum. É escusado afirmar que havia, como ainda há, doenças incuráveis: feiúra, preguiça, sem-vergonhice, dor-de-corno...

            Por que me lembrei disso agora? É que, dia desses, um amigo me ligou extremamente apreensivo: descobriu que sofre de transtorno  bipolar, ou seja, é capaz de passar da euforia à depressão num piscar de olhos . Não bastasse isso, o infeliz sofre também de  úlcera de origem nervosa, rinite, pressão alta , insônia e estresse. A despeito disso ( ou talvez por isso), ainda está vivo e faz muito sucesso como artista. Ganha um picolé caseiro quem adivinhar  o nome dele.

             Diante de um quadro como o descrito acima, sinto-me um privilegiado. Sofro apenas de feiúra crônica, dureza galopante e envelhecimento irreversível, enfermidades que  só se fazem sentir diante do espelho ou quando os cobradores batem à porta.  Conversando com um médico amigo sobre o assunto, ele me explicou que sofre de uma doença rara, mas preocupante:  workaholic. Ante o meu espanto, explicou-me que se trata de obsessão pelo trabalho ou “vício do trabalho”, como a denominam os americanos.  Por via das dúvidas, resolvi dedicar-me à releitura de Da preguiça como método de trabalho, do impagável Quintana. É melhor morrer de nada do que de tudo. Assim seja.

           



Escrito por nettodedeus às 20h51
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Escrito por nettodedeus às 19h39
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GILBERTO FREIRE

 

O autor de Casa Grande e Senzalas foi o escritor brasileiro que mais recebeu homenagens de universidades da Europa e dos EUA.

Gilberto de Melo Freire, que como escritor assinava Gilberto Freyre, nasceu em Recife [PE]. Fez estudos primários e secundários no Colégio Americano Gilreath e seguiu depois para os Estados Unidos, onde cursou as universidades de Baylor (Waco, Texas) e Colúmbia (Nova York).

 



Escrito por nettodedeus às 20h33
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JORGE AMADO

 

Em 1945, foi eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Em 1947, ano do nascimento de João Jorge, primeiro filho do casal, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge Amado teve que se exilar com a família na França, onde ficou até 1950. Doutor Honoris Causa por diversas universidades, o “comunista  Jorge Amado orgulhava-se do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.



Escrito por nettodedeus às 20h31
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WILLIAM SHAKESPEARE

O dramaturgo e poeta inglês nasceu a 23 de Abril de 1564 em Straford-upon-Avon. É considerado por muitos o mais importante autor da língua inglesa e um dos mais influentes do mundo ocidental. Seus textos e temas permaneceram vivos até aos nossos dias, sendo revisitados com freqüência pelo teatro, televisão, cinema e literatura.Entre suas obras é impossível não ressaltar Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: "To be or not to be: that's the question" (Hamlet 3/1).

 



Escrito por nettodedeus às 20h35
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MIGUEL DE CERVANTES

 

Sabe-se pouco sobre Cervantes. Nascido em 9 de outubro de 1547, tentou alcançar a fama como soldado. E quase o conseguiu. Na infernal batalha de Lepanto, de 1571, quando a Cristandade recuperou o controle sobre o Mediterrâneo, portou-se valentemente. Só que o tiro do arcabuz de um turco lhe secou a mão esquerda.
Infelicitou-se ainda ao passar, depois de capturado, cinco anos como escravo em Argel. O pai o resgatou por 500 escudos, em 1580. Pobre e anônimo, jogou-se às letras.

Cervantes arquitetou, provavelmente numa prisão em Sevilha, ao redor do ano de 1600, em primorosa prosa, aquele que se tornou seu bravo agente para desencantar os encantados: o ilustre fidalgo Don Quijote de La Mancha!

 



Escrito por nettodedeus às 20h31
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EÇA DE QUEIROZ

Na melhor tradição de Rabelais, José Maria Eça de Queiroz escolheu o riso como o melhor cutelo para abater o parasitismo, o beatismo e o cretinismo, que tomara conta do país. Para qualquer pessoa de bom censo, para qualquer português ilustrado daquele século, era irritante, quando não, escandaloso, ver ao seu redor a explosão das inovações, das idéias e das novas tecnologias, enquanto que Portugal parecia estar jogado às moscas, bestificado, contemplando um Atlântico que há muito não era dele, povoado de padres e de mulheres rezadeiras, todos de preto.

Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, Portugal (1845) e morreu em Paris, França (1900).

 



Escrito por nettodedeus às 13h13
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PATATIVA DO ASSARÉ

 

As penas plúmbeas, as asas e cauda pretas da patativa, pássaro de canto enternecedor que habita as caatingas e matas do Nordeste brasileiro, batizaram poeta Antônio Gonçalves da Silva, conhecido em todo  o  Brasil como Patativa do Assaré,  referência ao município que nasceu.  Analfabeto "sem saber  as letra onde mora ", como  diz num  de seus poemas, sua projeção em todo o Brasil se iniciou na década de 50, a partir da regravação de "Triste Partida",  toada de retirante gravada por Luiz Gonzaga.

Sua verve poética serviu  vassala a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do  povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir ao  condições climáticas e políticas desfavoráveis. A esse fato se refere à estrofe da música Cabra da Peste

 

"Eu  sou de uma terra que o  povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida,  que a linda cabocla
De riso na boca zomba  no sofrê
Não  nego meu  sangue, não nego  meu nome.
Olho para a fome ,  pergunto: que há  ?
Eu  sou  brasileiro,  filho do Nordeste,
Sou  cabra da Peste,  sou  do Ceará."

 

Cantando para seu povo, brincou poeticamente com o fato de estar sendo gravado em  disco na abertura de A dor Gravada:

"Gravador que está gravando
Aqui  no  nosso ambiente
Tu gravas a minha voz,
O meu  verso  e o  meu repente
Mas gravador tu não gravas
A dor que meu  peito sente"
.

 

 

 



Escrito por nettodedeus às 12h56
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JOSÉ LINS DO REGO

 

"A notícia da morte de José Lins do Rego chega-me aos ouvidos como o mais brutal dos absurdos. Nunca me pareceu que ele pudesse ser senão vida. De modo que não consigo imaginá-lo morto. Morto como qualquer outro homem. Morto do fígado e dos rins num quarto de hospital. Sua vida transbordou de tal maneira na minha que desde que o conheci deixei de ser um só para ser quase dois. Nunca ninguém, sendo do meu sexo, mas não do meu sangue, me deu mais compreensão e mais afeto. Compreensão e afeto nos momentos mais difíceis para uma amizade no Brasil; país de muitas camaradagens fáceis, mas de raras amizades profundas".  (Gilberto Freire).

O autor de Menino de Engenho, Cangaceiros, Fogo Morto e outros, nasceu no engenho Tapuá, São Miguel de Taipu, na Paraíba.

 



Escrito por nettodedeus às 22h45
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MÁRIO DE ANDRADE

 

Em seu primeiro romance, "Amar, verbo intransitivo"[1927], Mário desmascara a estrutura familiar paulistana. A história gira em torno de um rico industrial que contratou uma governanta (Fräulein) para ensinar alemão aos filhos. Na verdade, essa tarefa era apenas uma fachada para a verdadeira missão de Fräulein: a iniciação sexual de Carlos, filho mais velho do industrial.

Na obra "Macunaíma"[1928], classificada na primeira edição como uma "rapsódia", temos, talvez, a criação máxima de Mário de Andrade. A partir da figura de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, temos o choque do índio amazônico com a tradição e a cultura européia.

Mário Raul de Morais Andrade nasceu em 1893 e morreu em 1945, em São Paulo.

Conheça também: A paulicéia desvairada, A escrava que não era Isaura.

 



Escrito por nettodedeus às 23h35
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GRACILIANO RAMOS

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

Velho Graça, como também era chamado, nasceu em 1892 na cidade de Quebrangulo [AL]. Foi prefeito de Palmeira dos Índios [AL]. Morreu no Rio de Janeiro em 1953.

Vale mais do que a pena, conferir: Caetés, Viagem, São Bernardo, Memórias do cárcere.

 

O. G. REGO

Aos que dizem que estudou psiquiatria para escrever Rio Subterrâneo, O. G. Rêgo de Carvalho responde, com veemência, que não: "Eu estava adoecendo enquanto o escrevia, e passei para o papel todas as minhas sensações. Daí sua autenticidade. Rio Subterrâneo é um trabalho de elaboração muito acentuada, e eu quando o escrevi estava sentindo que, aos poucos, ia adoecendo. Mas eu não quis interromper meu trabalho, porque se eu interrompesse o trabalho, jamais concluiria. Então passei a escrever dia e noite, com um cuidado muito grande com a forma, para que, se eu viesse a adoecer antes de concluir o livro, aquele trecho que estivesse concluído pudesse pelo menos ser publicado. Vim interessar-me pelo estudo de psiquiatria depois que me fiz três perguntas: Por que adoeci? Qual deve ser meu tratamento? Que fazer para evitar nova recaída?".

O. G. Rêgo de Carvalho nasceu no dia 25 de janeiro de 1930, em Oeiras [PI], vindo para Teresina no final de 1940.

Fonte: Rio Subterrâneo Quarentão – Kenard Kruel (Entre-textos)

 

 



Escrito por nettodedeus às 23h22
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JOÃO CABRAL DE MELO NETO

 

Por volta dos oito anos de idade, ele morava com a família em Recife e ía para o engenho no tempo das férias. Seu irmão Virgínio lembrava que, aos domingos, o administrador do engenho ia à feira fazer as compras de mantimentos para a casa. Nestas ocasiões João Cabral dava-lhe dinheiro e encomendava a compra de folhetos de cordel. À tarde ele ia para a moita do engenho e, com os empregados todos ao redor de si, lia três, quatro folhetins para o pessoal do engenho.

João Cabral de Melo Neto (*Recife, PE 1920 -+ Rio de Janeiro, RJ 1999). Publicou, em 1942, Pedra do Sono, seu primeiro livro de poesia. Em 1945 saiu O Engenheiro, livro em que apresenta os princípios do rigor, da clareza e da objetividade, características pelas quais sua obra se tornou conhecida. Nesse mesmo ano entrou para a diplomacia, carreira a que se dedicaria nas décadas seguintes; serviu na Espanha, na Inglaterra, na França e no Senegal.

Confira também: Morte e Vida Severina, Tecendo a manhã, O Relógio, Num Monumento à Aspirina.

 



Escrito por nettodedeus às 22h54
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JOÃO UBALDO RIBEIRO


Nasceu em 1941 em Itaparica (BA). Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia.
Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Vale a pena conferir Sargento Getúlio, o Sorriso do Lagarto e Viva o Povo Brasileiro



Escrito por nettodedeus às 22h29
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Escrito por nettodedeus às 01h55
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WILSON MARTINS

 Crítico literário

 

A internet dá informação, mas não dá conhecimento. Esse é um aspecto que pouco se observa. É facílimo levantar, por exemplo, uma bibliografia sobre Dante. Sabe-se tudo sobre Dante, mas nada sobre o poeta. Esse é o grande engano da internet. O que se teria de fazer é transformar a informação em conhecimento.

Wilson Martins sempre diz que tem uma receita infalível para identificar livros ruins em seu ofício de crítica. Ele lê deitado. Se depois de algumas páginas cair no sono, é porque o livro é muito ruim.

 



Escrito por nettodedeus às 01h42
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MANUEL BANDEIRA

 

"O livro mais precioso de minha biblioteca é um velho caderninho de folhas pautadas e capa vermelha, comprado na Livraria Francesa, rua do Crespo, 9, Recife, e em cuja página de rosto se lê 'Livro de assentamento de despesas. Francelina R. de Souza Bandeira'. Era o nome da minha mãe." Mais adiante, diz: "Sinto meu avô materno nos meus cabelos, sinto-o em certos meus movimentos de cordura. (...) Minha mãe transmitiu-me traços de meu avô que, no entanto, não estavam nela. Que grande mistério que é a vida".

 

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886. Comemora 80 anos, em 1966, recebendo muitas homenagens. A Editora José Olympio realizou em sua sede uma festa de que participaram mais de mil pessoas e lançou os volumes Estrela da Vida Inteira.

No dia 13 de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, morre o poeta Manuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

 



Escrito por nettodedeus às 01h33
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

“Eu lamento que haja pouco consumo de livro no Brasil. Mas aí é um problema muito mais grave. É o problema da deseducação, o problema da pobreza - e, portanto, o da falta de nutrição e da falta de saúde. Antes de um escritor se lamentar porque não é lido como são lidos os escritores americanos ou europeus, ele deve se lamentar de pertencer a um país em que há tanta miséria e tanta injustiça social”. “Precisamos descobrir o Brasil/ Escondido atrás das florestas/ com a água dos rios no meio/ o Brasil está dormindo, coitado”. Trecho do Hino Nacional, de Drummond

 



Escrito por nettodedeus às 01h09
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ARIANO SUASSUNA

 

“Essa visão de que as forças rurais que meu pai liderava eram o atraso, o obscurantismo, o mal. E as outras representavam o bem e o progresso. “A Pedra do Reino” foi uma das armas que usei para reagir contra essa visão estreita (O pai foi assassinado quando ele tinha apenas 3 anos de idade).
Eu fiz o livro com a intenção de ser universal. Se eu o consegui ou não, é difícil determinar porque só o tempo vai dizer. Mas realmente acredito que o ser humano é o mesmo em todos os lugares e em todos os tempos. Então, se em “A Pedra do Reino” consegui tocar na vida, na história do homem nordestino, estou tocando, também, nos problemas dos homens de todos os lugares do mundo”.

 

Ariano Suassuna nasceuem João Pessoa [PB], quando o pai, João Suassuna, governava a Paraíba. Ainda na primeira infância mudou-se para Taperoá, no sertão - terra do saudoso e grande educador Marcílio Rangel Farias, do Instituto D. Barreto, em Teresina -  onde permaneceu até os quinze anos. Nessa época, temperou a sua índole de sertanejo, continuando assim uma tradição familiar que vinha dos quatro avós. O pai é originário do Catolé do Rocha. A mãe, nascida Rita de Cássia Dantas Vilar, tem raízes em Desterro, Teixeira e na própria Taperoá

 

 

 

 

CINEAS SANTOS

 Não posso, não devo e não quero ser pessimista. Seria a negação da minha história de vida. Até agora, enfrentei todas as “pauleiras” sem correr com a sela. Ao longo de mais de 35 anos de labuta, tenho pugnado por causas perdidas: educação, cultura, ecologia. Não construí carreira literária, não recorri à política como trampolim; não amealhei fortuna; não tenho nem mesmo uma modesta aposentadoria. Estou literalmente falido e mal pago. Mas não quero perder a esperança, o tesão pela vida, a vontade de continuar fazendo. Mas até quando? Há poucos dias, a Folha de São Paulo publicou a opinião de um renomado filósofo, defendendo a barbárie. O cidadão, tido e havido como “humanista”, acha a pena de morte “branda demais” para certos criminosos. Uma desembargadora descrê das leis que aplica; um deputado federal defende um inqualificável crime ambiental... E o cidadão comum vai acreditar em quê? Ultimamente, tenho pensado seriamente em voltar para o sertão do Caracol, enfurnar-me naquelas brenhas, “sem rádio e sem notícia da terra civilizada”. O diabo é que, em todas as roças do sertão, já existe uma antena parabólica plantada no chão, democratizando o consumismo, a baixaria, a violência. Desgraçadamente, estamos condenados à barbárie, também conhecida como “progresso”.     



Escrito por nettodedeus às 01h03
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CLARICE LISPECTOR

 

José Castelo. "— Por que você escreve?

Clarice Lispector.  "— Vou lhe responder com outra pergunta: — Por que você bebe água?"

J.C. "— Por que bebo água? Porque tenho sede."

Clarice. Lispector. "— Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva."

 

Clarice Lispector morreu no dia 9 de setembro de 1977, no Rio de Janeiro.

Entrevista dada em 1976 para José Castelo, biógrafo, escritor e jornalista

 



Escrito por nettodedeus às 00h53
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ZUENIR VENTURA

E A MODA

Outro dia falei mal das formas esqueléticas que são hoje o padrão estético das “manequins”, como se dizia no meu tempo, e fui alvo de irados protestos. É bem verdade que peguei pesado. Ao descrever uma foto do Fashion Rio publicada no Globo, eu disse: “ela exibe quatro pares de pernas tão finas e assimétricas que devem correr o risco de se partirem ao desfilar, sem falar nos joelhos, frágeis articulações de ossos cobertas apenas por uma tênue pele. E as coxas? Ah, as coxas! Em alguns casos, não se sabe onde elas começam, se é que começam”. E mais adiante: “O mesmo gosto que prefere formas descarnadas da cintura para baixo infla os seios de tal maneira que, se caírem no chão, são capazes de quicar feito bola de vôlei”.

 

Nascido em Além Paraíba, no estado de Minas Gerais, Zuenir Ventura é jornalista e professor universitário há quase 40 anos. Foi editor do Caderno B e criador do suplemento Idéias, ambos no Jornal do Brasil.

 

 



Escrito por nettodedeus às 00h45
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MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA
( texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 )

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.

Mario Quintana ( texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 )

Mário Quintana, poeta gaúcho nascido em Alegrete, em 30 de julho de 1906, e morreu em 5 de maio de 1994, em Porto Alegre.

 

 

 



Escrito por nettodedeus às 00h26
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RUBEM BRAGA

 

Considerado por muitos o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim[ES], a 12 de janeiro de 1913.

Um dos sonhos de Rubem Braga era plantar um cajueiro em seu pomar na cobertura de Ipanema, no Rio de Janeiro, segundo conta José Castello em Na cobertura de Rubem Braga – onde ” cultivava árvores, aves e amigos” – o  que o impedia era o fato de a raiz da planta sempre crescer vizinho abaixo. "Um dia, deixo as raízes saírem pelo teto da sala dele", teria dito, num dia de humor aziago.

Foi correspondente de guerra do Diário Carioca na Itália, onde escreveu o livro "Com a FEB na Itália", em 1945, sendo que lá fez amizade com Joel Silveira. De volta ao Brasil morou em Recife, Porto Alegre e São Paulo, antes de se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro, primeiro numa pensão do Catete, onde foi companheiro de Graciliano Ramos; depois, numa casa no Posto Seis, em Copacabana, e por fim num apartamento na Rua Barão da Torre, em Ipanema.

 



Escrito por nettodedeus às 00h00
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CARLOS HEITOR CONY

 

Nasceu no dia 14 de março de 1926 na cidade do Rio de Janeiro, faz sua primeira comunhão e passa a ser ajudante de missa na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no bairro de Vila Isabel. Sua dificuldade com a dicção das palavras - principalmente trocando o "g" pelo "d" - fazia com que fosse alvo das brincadeiras de seus amigos. Resolve, então, escrever inúmeras vezes a palavra fogão em seu caderno. Mostra aos amigos e, como eles não riram, entendeu que para não se tornar motivo de chacota deveria dedicar-se à palavra escrita.

Grande escritor e jornalista brasileiro que aos 80 anos nos presenteia com o romance O Adiantado da Hora, onde o personagem Seabra jura de pés separados que transou com a Madre Teresa de Calcutá.

--“ Mantenho minha inquietação diante das coisas. Acho que este livro expressa meu anarquismo e minha liberdade de criação.”

 



Escrito por nettodedeus às 23h47
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CECÍLIA MEIRELES

 

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”.

Em 1935, ao retornar ao país, vinda de Portugal, novo período de sofrimento não demora a surgir, com o suicídio do marido. Responsável pela educação das três filhas, Cecília Meireles amplia suas atividades profissionais. Volta a lecionar; escreve sobre folclore no jornal A Manhã, crônicas para o Correio Paulista e dirige a Revista Travel in Brazil, no Rio.

Professora e tradutora, a poetisa Cecília Benevides de Carvalho Meireles é dona de uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.

 

 



Escrito por nettodedeus às 23h15
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EUCLIDES DA CUNHA

Em 4 de novembro de 1888, o ministro da Guerra, Tomás Coelho, visitava a Escola Miiltar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Os alunos em forma, numa revista de mostra, "fuzis perfilados em continência nos ombros", com sabre engatado na espingarda, saudavam a autoridade monárquica. Ao passar diante do ardoroso jovem republicano, Euclides da Cunha, este atirou a arma aos pés do ministro (ou o sabre?). O fato é conhecido como "episódio do sabre". O ato de indisciplina levou o cadete à prisão, transferido, logo depois, para o Hospital Militar do Castelo, em respeito ao laudo médico que atestava esgotamento nervoso por excesso de estudo. Diante dos juízes, o destemido Euclides confirmou sua fé republicana, sendo então transferido para a Fortaleza de São João, aguardando conselho de guerra, cujo julgamento não se realizou, pela intervenção de muitos. D. Pedro II lhe perdoou. Em 11 de dezembro, foi cancelada sua matrícula.

No final daquele 1888, o jovem Euclides estava em São Paulo. Dia 22 de dezembro, iniciou sua colaboração no jornal "A Província de S. Paulo", escrevendo sob o pseudônimo de Proudhon (escritor francês [1809 - 1865], um dos teóricos do Socialismo que proclamou ser a propriedade privada um roubo, pregando uma revolução que igualaria os indivíduos).

"Para abalar a terra inteira basta-lhe um ato simplíssimo - cruzar os braços". (Euclides da Cunha)

 



Escrito por nettodedeus às 22h53
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DALTON TREVISAN

 

Ele não dá entrevistas, não se deixa fotografar [vacilou numa esquina do bairro onde mora e eu caricaturizei!], não vai a feiras literárias. Segundo ele para ter liberdade de movimento entre as pessoas que servirão de matéria-prima para suas histórias.Desde sua estréia em Novelas Nada Exemplares, de 1959, um dos mais importantes escritores do país – o curitibano Dalton Trevisan – povoa suas histórias com o lado obscuro de sua cidade natal. A vida das prostitutas, dos boêmios, das mulheres abandonadas e dos enjeitados é o tema principal de seus contos quase sempre curtos, poucas vezes passando de dez páginas.

 

 

 

PAULO LEMINSKI

 

nunca cometo

o mesmo erro

duas vezes

já cometo duas

três quatro cinco seis

até esse erro aprender

que só o erro tem vez

 

Paulo Leminski Filho (Curitiba - PR, 1944 - idem 1989). Publicou seus primeiros poemas em 1964, na revista Invenção, porta-voz da poesia concreta paulista. No período, trabalhava como Professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e professor de judô. Músico e letrista, nos anos de 1970 teve canções gravadas por A Cor do Som, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira.

 

 



Escrito por nettodedeus às 22h34
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FERREIRA GULLAR

 

O "Poema sujo" foi escrito entre maio e outubro de 1975. Em novembro, lê o novo trabalho na casa de Augusto Boal, em Buenos Aires, para um grupo de amigos. Vinicius de Moraes, que organizou a sessão de leitura, pede uma cópia do poema para trazer ao Rio. Por precaução, o poema é gravado em fita cassete. No Rio, Vinicius promove diversas sessões para que intelectuais e jornalistas ouvissem o "Poema sujo". Ênnio Silveira, editor, pede uma cópia do texto para publicá-lo em livro. Enquanto isso não acontece, diversas cópias da gravação circulam pela cidade em sessões fechadas de audição.

Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz [MA].



Escrito por nettodedeus às 22h11
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H. DOBAL

 

“Se há poetas que viram personalidades públicas, H. Dobal é um homem particular — como o compreende o cineasta Marden Machado no filme que lhe dedicou. Segundo já disseram, sua obra deu dimensão universal à poesia piauiense. Pela força e pela grandeza com que nos emocionam, os versos de H. Dobal são daqueles que, sozinhos, valem por uma literatura”

O poeta Ivan Junqueira desculpou-se pela demora em descobrir um escritor com a estatura do colega de Teresina [PI], comparável, segundo ele, a Carlos Drummond de Andrade e a João Cabral de Melo Neto.

. Edmilson Caminha (Crítico literário)

 



Escrito por nettodedeus às 21h35
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MOACYR JAIME SCLIAR

Moacyr Scliar é hoje um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea. Os temas dominantes de sua obra são a realidade social da classe média urbana no Brasil e o judaísmo. As descrições da classe média feitas por Scliar são, frequentemente, inventadas a partir de um ângulo supra-real.É médico e nasceu em Porto Alegre[RS].

 



Escrito por nettodedeus às 21h18
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RAQUEL DE QUEIROZ

 

Sua simpatia com o Partido Comunista custou-lhe o título de Agitadora Comunista dada pela polícia política de Pernambuco. Seu livro, "João Miguel", já estava no prelo quando foi informada que deveria submeter o livro à censura pelo Partido. Semana depois Rachel é informada que o Partido não aprovara sua obra pois um trabalhador era morto, por outro, na história. Rachel, fingiu concordar e fugiu do local com os originais depois de dizer que o partido não possuía autoridade para censurar sua obra. Este fato levou ao rompimento com o Partido Comunista.

 



Escrito por nettodedeus às 21h04
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PAULO LEMINSKI

 

nunca cometo

o mesmo erro

duas vezes

já cometo duas

três quatro cinco seis

até esse erro aprender

que só o erro tem vez

 

Paulo Leminski Filho (Curitiba PR, 1944 - idem 1989). Publicou seus primeiros poemas em 1964, na revista Invenção, porta-voz da poesia concreta paulista. No período, trabalhava como Professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e professor de judô. Músico e letrista, nos anos de 1970 teve canções gravadas por A Cor do Som, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira.

 



Escrito por nettodedeus às 20h57
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FRANCISCO DE ASSIS BRASIL

 

Na época da maior repressão do regime militar, entre 1967 e 1968, lecionava Técnica de Jornal na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava como copidesque no jornal Tribuna da Imprensa. Tanto a universidade quanto o jornal eram sistematicamente invadidos pela polícia e pelo DOPS. Um dos temas de aula de ASSIS BRASIL, então, do ponto de vista político, foi o assassinato do estudante Edson Luís Souto no Calabouço. Também à época, em 1968, ASSIS BRASIL vendia livros na Feira do Livro da Cinelândia, tendo já publicado os três primeiros romances de sua Tetralogia Piauiense.

 



Escrito por nettodedeus às 20h10
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